Nascido a 19 de fevereiro de 2018, atualmente com 8 anos. Vive com atraso global do desenvolvimento psicomotor, atraso significativo da linguagem expressiva, características do espectro do autismo, TDAH e TOD, com 60% de incapacidade.
Desde junho de 2024, a ASLA tem sido um apoio fundamental para a continuidade das suas terapias.
O Afonso nasceu a 19 de fevereiro de 2018 após um parto natural instrumentalizado muito difícil. Atualmente com 8 anos, vive com um atraso global do desenvolvimento psicomotor com atraso significativo da linguagem expressiva, com características do espectro do autismo, TDAH, TOD, e com 60% de incapacidade.
O Afonso vê, sente, cheira, ouve e vive o mundo de uma forma completamente diferente da nossa. O cérebro dele funciona de maneira única, intensa, talvez até mais organizada em certos aspetos do que o nosso. E existe beleza nisso, mas não consigo fingir que não existem dias extremamente difíceis. Dias em que vivemos extremamente em alerta porque ele tem a idealização de fuga e não tem a noção do perigo, ou não tem qualquer noção que aquilo é impossível de concretizar. Dias em que se pode colocar em frente a um carro em andamento sem perceber o risco, ou dias em que um simples passeio de carro em família, que para muitas famílias é entusiasmo, para nós se transforma em stress, crises, sobrecarga e exaustão.
Existem momentos de agressividade em que nós, pais e avós, acabamos arranhados e magoados, e mesmo sabendo que não é maldade, dói na mesma, cansa na mesma. Comer fora ou até sentarmo-nos para uma refeição parece algo banal para tantas pessoas, mas para nós é um desafio constante. Ele nem sempre consegue comer sentado, ou simplesmente comer, está sempre a levantar-se, a fugir, a explorar. Nunca conseguimos realmente relaxar porque há sempre alguém a correr atrás dele ou a chamar por ele. Ir à praia, que devia ser descanso, significa ter quatro olhos atentos a cada segundo. A fuga e o perigo são constantes, e a água é tão sensorial para ele, que perde a noção de tudo à sua volta, querendo sentir tudo de todas as maneiras possíveis.
Nós percebemos que ele adora a natureza, os animais, ele ama descobrir o mundo, mas também vemos quando tudo se torna demasiado. Quando ele diz que está cansado e a cabeça dói, já chegou no seu limite, o seu cérebro não consegue processar tanta informação e precisa desesperadamente de uma pausa.
Eu sei que a maioria das pessoas pensam que isso é como qualquer criança, mas não é igual. O Afonso tem um irmão, por isso, sabemos a diferença. Sabemos o que é o cansaço normal da parentalidade e sabemos o que é viver em constante hiper vigilância, sem conseguir desligar um segundo sequer. A condição do Afonso traz desafios muito próprios, muito intensos, que mudam completamente a dinâmica de uma família. E no meio disto tudo, ainda acrescentamos as horas diárias de terapias extremamente necessárias para o seu desenvolvimento. Enfim, nós ficamos exaustos, física e emocionalmente. E sem esquecer que temos um segundo filho, e muitas vezes sentimos culpa por não conseguirmos dividir-nos como gostaríamos.
Mas existe o Afonso, o verdadeiro Afonso, com um sorriso que ilumina o mundo. A criança mais doce do mundo, que só quer beijos, colo, mimo e amor. O menino que me procura para se sentir seguro, e que, no meio do caos, consegue derreter-nos o coração em segundos. E talvez seja isso que ninguém entende sobre os diagnósticos do Afonso: não é só difícil ou bonito. É amar de uma forma tão intensa que, mesmo nos dias em que sentimos que já não conseguimos mais, continuamos ali, sempre.
Durante este percurso, a luta contra o tempo é uma constante, e o maior objetivo é recuperar o máximo de prejuízos. Contudo, este acompanhamento teve um preço que nós, pais, deixámos de ter condições de suportar. Depois de todos os esforços, financeiros principalmente, tivemos de abrandar as terapias, até que, em junho de 2024, surgiu uma nova luz aos nossos dias, uma luz brilhante que nos lembra constantemente do poder transformador do amor: a ASLA, Associação Sorriso Leonor e Amigos. Desde então, e de forma totalmente gratuita, a ASLA tem proporcionado todos os carregamentos do material do ecoponto amarelo, a favor do Afonso, de Vila Frescaínha S. Martinho para a Resulima.
Antes de surgir a ASLA nas nossas vidas, os tratamentos do Afonso sempre foram pagos, primeiro por economias, depois por bens que conseguimos vender para angariação de verbas, e depois por recurso a créditos bancários. Tudo isto se tornou insuportável de manter. Foi graças à ASLA que, através da recolha do ecoponto amarelo e das atividades realizadas para a angariação de verbas para as Borboletas, o Afonso voltou a ter as terapias essenciais para a sua evolução, e a nossa família tem de volta o oxigénio que nos dá mais garra para vencer mais uma batalha.
A ASLA tem permitido que o Afonso continue a voar e a ser exemplo de superação para todos os que cruzam o seu caminho.